27 de setembro de 2026

Cuidados que fazem seu relógio durar anos

Perfume, água, flanela, pilha e onde guardar: os hábitos que preservam o brilho, a pulseira e o movimento do relógio.

Cuidados que fazem seu relógio durar anos

Relógio não estraga de repente: ele se desgasta no detalhe. Perfume aplicado por cima da pulseira, água quente no pulso, o hábito de guardar a peça na gaveta junto com as chaves. Nada disso quebra o relógio em um dia, mas cada um tira alguns meses da vida dele.

Estes são os cuidados que mais rendem, em ordem de importância.

1. Perfume antes, relógio depois

É o cuidado número um e o mais fácil de esquecer. Álcool e óleos essenciais do perfume atacam o banho de ouro, o verniz do mostrador e o couro. Aplicar o perfume, esperar secar e só então colocar o relógio preserva a peça por anos.

Atenção também ao creme corporal, ao protetor solar e ao álcool em gel — todos entram na mesma lista. Produto na pele primeiro, relógio no fim.

2. Água: entenda o que o número significa

Você já viu “3 ATM” ou “5 ATM” na ficha técnica. O número não é profundidade de mergulho: é a resistência à pressão testada em laboratório, com o relógio parado.

  • 3 ATM: respinga de lavar as mãos e chuva leve. Não é para chuveiro, piscina ou mar.
  • 5 ATM: aguenta lavar as mãos e andar na chuva sem preocupação. Chuveiro quente segue sendo má ideia — o vapor é mais agressivo que a água.
  • Para piscina e mar: 10 ATM ou mais, e sempre enxaguar em água doce depois do mar.

Em qualquer caso, a vedação é feita por borrachas que envelhecem. Um relógio antigo com 5 ATM escrito na tampa pode não estar mais resistente — vale revisar.

3. Uma flanela resolve metade do problema

Uma flanela seca, passada de leve, tira a marca de dedo do aço, o resíduo de creme e o pó que se acumula entre os elos. Faça isso uma vez por semana e o brilho se mantém sem produto nenhum.

Para a caixa e o vidro, só pano macio. Papel-toalha e pano de prato têm fibra que risca o polimento — em vidro mineral, a marca fica.

4. Onde guardar (e onde não)

Longe do sol direto, do calor e do ímã. Sol e calor ressecam o couro, amarelam o verniz e castigam as borrachas de vedação; ímãs (fechos, caixas de som, capas magnéticas de celular) desregulam o relógio.

Quando não estiver no pulso, guarde em lugar seco — caixa, saquinho de tecido ou a própria almofada — sem esbarrar em chaves, óculos ou outras peças. Metal contra metal é como nascem os riscos de caixa.

5. Ajustes que ninguém deveria tentar em casa

Duas recomendações de relojoaria que valem para quase todo relógio com calendário:

  • Não mude a data entre 21h e 3h. Nesse intervalo, a engrenagem do calendário está engatada. Forçar o mecanismo ali pode travar ou quebrar a troca de data.
  • Não force o ponteiro nem a coroa. Eles giram com suavidade; se houver qualquer resistência, pare. Forçar é o que transforma um ajuste simples em conserto.

6. Pilha e revisão

Relógio de quartzo é econômico, mas não eterno: a pilha dura, em média, de um a três anos, dependendo do modelo e do uso dos recursos. Trocar em relojoaria de confiança resolve duas coisas de uma vez — a pilha nova e a checagem da vedação, que é reaplicada na troca.

Pilha vazada é um dos piores danos possíveis: o vazamento corrói o mecanismo por dentro. Se o relógio está parado há meses na gaveta, troque a pilha ou retire-a antes de guardar.

O resumo em três linhas

Perfume e creme nunca direto na peça. Água, só o que a resistência permitir. E guardar longe de sol, calor e metal. O resto é flanela e uma troca de pilha a cada par de anos — o suficiente para o relógio atravessar uma década ainda bonito.

Se o seu relógio tem pulseira de couro ou banho de ouro, o texto sobre materiais de pulseira completa estes cuidados com o que cada acabamento tolera. E se for comprar a primeira peça, comece pelo tamanho certo para o seu pulso — ou veja o que está na vitrine.